23 de março de 2016

Livro: Clockwork


 Eu já nem tenho mais palavras pra dizer como Philip Pullman me conquistou com sua escrita. Depois desse livro e de A Oxford de Lyra eu tive certeza de que a série His Dark Materials não foi a única coisa boa que ele fez (apesar de A Oxford ser uma espécie de continuação dessa série). Eu amo como ele escreve pra crianças sem subestimar a inteligência de ninguém. Acho que gente de qualquer idade pode e deve ler, basta gostar de uma boa fantasia e personagens fortes (ah, e de momentos tão surpreendentes que a gente chega prende a respiração).

Clockwork é um livro fininho, de história intensa mas que pode ser lido rápido (eu li em poucas horas e eu leio bem devagar geralmente).

É o seguinte: a história se passa numa cidade bem pequena no interior da Alemanha, numa época onde tudo (a economia, a diversão, as histórias) giram em torno de relógios, daqueles antigos, cheios de engrenagens milimetricamente arranjadas.
Então dentro da história tem um aprendiz de relojoeiro que quer arrasar no dia em que tem que mostrar uma peça feita com os princípios de relógio (as engrenagens e tal) e que está disposto a fazer qualquer coisa pra conseguir isso, qualquer coisa mesmo... Tem também uma história dentro da história, que é tão inacreditável (e um pouco assustadora também) que você torce pra não ser verdade. Além disso, tem personagem por quem você não dava nada resolvendo os momentos chave da história e um final que é no mínimo um alívio pro coração que passa o livro todo apertado.


Ah, eu não tinha mencionado ainda, mas a leitura é em inglês. Um pouco mais fácil do que deveria ser a bússola de ouro e suas sequências, porque não tem tantos neologismos. Não consegui encontrar esse livro em nenhuma livraria, editora ou loja virtual daqui, mesmo com a edição importada, então comprei na Amazon dos EUA enquanto eu tava por lá. E por enquanto acho que era o único lugar que vendia mesmo. Acho que isso contribui pra que seja um título pouco conhecido, assim como outros do mesmo autor.


Essa edição (acho que deve ter apenas mais uma outra que não me lembro como é) é simples, de capa mole e folhas tão finas que são só um pouco melhor que papel jornal. Tem as folhas amareladas, o que eu acho muito agradável apesar do papel mais fraco. Gosto que é ilustrado, além de algumas imagens grandes, também tem umas menores nas entradas dos capítulos e outras que são como dicas ou comentários sobre a história, quase como se tivesse mais alguém lendo com você (a decisão é sua se isso é legal ou estranho). Ah, e as ilustrações tem esse estilo meio hachura, que não é dos meus preferidos, mas que sem dúvida combina com o clima da história e é de um cara que já ilustrou outros livros (provavelmente dessa mesma editora) de Philip Pullman.

É uma história que merecia ser mais conhecida, tem todas as coisas que uma história boa deve ter. Em alguma das resenhas da própria capa do livro alguém diz que merecia ser um clássico, e eu concordo. O fato de ser rápido e intenso ajuda a ter essa sensação de que é tudo meio inesquecível e que merece ser lido, relido e recontado pelas pessoas.

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